Ano de 1990  

Posted by: Katia in


Continuando o post sobre a minha vida...
Com as visitas frequentes do amigo do meu irmão em minha casa, nos tornamos amigos, e acabamos em namoro. Namoro como outros, nada de anormal. Ele tratava meu filho muito bem, como se fosse filho dele. Tínhamos lá nossos limites. Não pude aproveitar muito o namoro, tipo: sair pras baladas, sair e não ter hora para voltar, enfim.. Até que em 1991, resolvemos nos casar. Casamos somente no cívil, pois logo nasceria a minha filha. Nesse meio tempo, nossa situação financeira não andava muito boa. Eu já tinha parado de trabalhar, devido os filhos, e ele continuava sendo gerente. Por alguns problemas que tivémos, ele acabou também desempregado, aguentamos aí, uns meses. Foi quando começou o fenômeno "Dekasseguis" (descendentes de japoneses que vão ao Japão á trabalho). Não tivémos escolha, aproveitamos a onda e viémos para o Japão. No início, foi muito duro, tive que deixar meus filhos no Brasil, com minha mãe. Pois além de não poder trazê-los, não saberíamos como seria aqui. Por um lado, não me arrependo de ter deixado eles no Brasil. Porque entre tantas promessas feitas a nós, em relação a emprego, 80% era tudo mentira. Só não passamos fome, porque já tinha parentes aqui, que nos ajudaram no início. Na época, o único modo de você vir para o Japão, era por intermédio de "Empreiteiras", intermediárias entre você e o empregador (fábrica). Nisso, como você dependia, de moradia, transporte e emprego, você ficava meio que preso com essas empreiteiras. Sofremos muito, principalmente em termos de injustiças. Sabe aquela coisa de você se ver no meio de um mato sem cachorro? Isso mesmo, era bem isso, pois tava na cara que estavámos sendo escravos, mas não podíamos fazer nada. Já começava pelo idioma, que muitos vinham, sem ao menos saber falar um "Oi" em japonês. Sem contar com a adaptação, um país totalmente de ponta cabeça, em relação ao BR. Apesar de eu ser descendente, a cultura aqui é bem diferente da que eu vi e aprendi no BR. E assim, fomos vivendo, até que conseguissemos pagar as passagens aéreas até aqui para a empreiteira, 3 mil dólares. E ainda havia empreiteiras, que prendia seu passaporte com eles, até que sua dívida da passagem estivésse pagas. Dentro disso, os descontos da mesma, ainda era feita de modo injusto, sempre ganhavam nas nossas custas. No próximo post, conto mais sobre a vida dekassegui ok? SM@CKS!!!

This entry was posted on sexta-feira, dezembro 12, 2008 and is filed under . You can leave a response and follow any responses to this entry through the Assinar: Postar comentários (Atom) .

1 comentários

Oi lindona, eu sou a Li Almeida do Aprendendo &criando Tags vim fazer uma visitinha, o meu blog ainda está em construção, falta tempo...kkkk.Parabens pelo seu, diferente de tudo que já vi por aí...lindooooo

Postar um comentário